Exposição fotográfica revela olhar inusitado sobre São Paulo

Em sua primeira individual de fotografia, Marcelo Musarra se inspira na música “If 6 was 9” de Jimi Hendrix e apresenta 25 imagens que revelam um universo inverso escondido nos detalhes da cidade

O mundo está de ponta-cabeça. Ou sempre esteve e tem momentos que ficam mais. Em 1967, a Guerra dos 6 Dias explodia as fronteiras do Oriente Médio. Che Guevara era executado na Bolívia e Kurt Cobain fazia ecoar seu primeiro grito primal. Em resposta aos insanos caminhos que a humanidade percorria, Hendrix lançou a primeira versão de “If 6 was 9”.

A música integrou a trilha sonora de “Easy Rider”, o icônico road movie de 1969 dirigido por Dennis Hopper, estrelado por ele mesmo, Peter Fonda e Jack Nicholson. Por aqui, o filme foi batizado com o representativo título de “Sem Destino”.

No eterno retorno preconizado por Friedrich Nietzsche, o atual instante se revela tão conturbado como aquele final dos 1960. Em meio a tantas reversões de ideias, valores e conceitos, a arte sempre encontra algo interessante em meio ao caos.

Subvertendo a visão comum, Marcelo Musarra inverte o cenário e desvenda novas possibilidades do olhar sobre detalhes que a metrópole paulista esconde pelo passo apressado cotidiano.

Na fina lâmina da poça pós-chuva, a realidade se distorce em reflexos que se fundem com o fundo da grama misturada ao asfalto. Folhas viram estrelas, as pessoas se agigantam, bikes e motos se liquefazem. Nas sombras projetadas nas calçadas, figuras humanas ganham um toque Giacometti. Longilíneas, fazem do passeio uma atmosfera de densa encenação.

No rito registrado por Hermes Trimegisto, “o que está em cima, está embaixo”. “Assim na terra como no céu”, reza a oração. É aí, oculto pela pressa pânico do dia a dia, que um outro universo se revela, como o avesso inverso ao verso de si mesmo.

Essa imagética assume uma ótica fora da óbvia e se traduz em uma estética outra. O click congela e transpõem uma realidade que é familiar por ser cotidiana, mas que é simultaneamente estranha por assumir ângulo inusitados que convidam o olhar a refletir sobre uma outra maneira de ver o mundo. Basta dar um passo e nada mais estará no mesmo lugar.

O encerramento da vernissage conta com o show de estreia do Old Surfers, novo projeto de Luiz Bueno – integrante do Duofel há 41 anos – comandando as guitarras, citar e dilruba; Manoel Vanni nos teclados e Renato Patriarca na mixagem.

 

Vernissage dia 29 de junho de 2019

Das 14h às 20h

Rua Bahia, 1.260 – Higienópolis, São Paulo/SP

Em cartaz até 06 de julho

 

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