Contratação de pessoas com deficiência: cinco desafios para uma mudança de atitude das empresas

image73872Apesar dos 21 anos da Lei de Cotas, que estabelece um percentual de 2% a 5% de pessoas com deficiência a ser contratado nas empresas, ainda faltam boas ofertas de oportunidades de emprego para um contingente que representa pelo menos 10% da população brasileira. Na luta para vencer os preconceitos contra a inclusão social no mercado de trabalho, o maior inimigo é invisível: o desconhecimento do mundo corporativo sobre a realidade das pessoas com deficiência. Conheça cinco desafios para uma mudança de atitude das empresas nessa área.

A crença na falta de mão de obra qualificada, uma justificativa constantemente utilizada por empresas para o descumprimento da Lei de Cotas. “As empresas cansam de dizer que não contratam porque faltam pessoas com deficiência qualificadas. Não é verdade”, garante Rosana Cardoso, paraplégica, formada em Ciências Contábeis e com MBA em Logística. O IBDD, com experiência de 15 anos na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, comprova a realidade apontada por Rosana. Seu banco de currículos possui cerca de 30% de pessoas com ensino superior, mas em 2012 apenas 5% das vagas trabalhadas pelo Instituto foram destinadas a esse público.

O baixo salário oferecido é um dos aspectos que dificultam a contratação de pessoas com deficiência: “As empresas só oferecem vagas de auxiliar administrativo para as pessoas com deficiência, achando que os deficientes não são qualificados. Quando procuro emprego, o encarregado diz que meu currículo é ótimo mas que aquela vaga não é para deficiente. É puro preconceito”, indigna-se Rosana.

A não-flexibilização em perfis de vagas para pessoas com deficiência, como acontece rotineiramente para contratação de pessoas sem deficiência. “A escolaridade no Brasil é ruim para pessoas com e sem deficiência, mas no caso da pessoa com deficiência as empresas tendem a não fazer nenhum tipo de flexibilização, o que é uma grande evidência de que há preconceito”, aponta Raphaela Athayde, superintendente adjunta do IBDD.

O desconhecimento da realidade das pessoas com deficiência faz com que a maioria das empresas não esteja preparada para receber pessoas com deficiência. No entanto é necessário perceber a importância da acessibilidade das instalações físicas e dos investimentos tecnológicos, como os softwares para cegos, por exemplo, para viabilizar o emprego de um significativo número de pessoas com deficiência.

A grande maioria das empresas só contrata pessoas com deficiências leves. Cadeirantes, cegos, surdos e deficientes intelectuais dificilmente são empregados. “É preciso um trabalho de convencimento e sensibilização do ambiente institucional, dos gestores, empregados e colaboradores, para a superação de preconceitos e estereótipos arraigados”, afirma Teresa Amaral, superintendente do IBDD.
Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência

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