Campinas Decor 2019 acontece de 26 de abril a 16 de junho e recupera casarão centenário pertencente à prefeitura

Pela oitava vez, principal mostra de arquitetura, decoração e paisagismo do interior paulista doa

melhorias feitas em imóvel do patrimônio público

Um casarão construído no final do século 19, em pleno bairro Cambuí, “coração” da cidade, abriga de 26 de abril a 16 de junho a 24ª edição da Campinas Decor, principal mostra de arquitetura, decoração e paisagismo do interior paulista. Além da total recuperação do imóvel centenário pertencente ao patrimônio público – legado que será deixado ao município – os visitantes poderão conferir as tendências e o que há de mais moderno em artigos para decoração e construção, revestimentos, mobiliário, luminotécnica, automação residencial e tudo o que envolve esse universo.

Foram investidos cerca de R$ 7 milhões para a montagem da edição, divididos entre organização, patrocinadores, expositores e fornecedores – desse total, cerca de R$ 2 milhões foram consumidos apenas nas obras de recuperação. A expectativa é receber um público similar ao dos últimos anos, entre 30 mil e 32 mil visitantes.

São 43 ambientes internos e externos preparados por um time formado por profissionais de renome da cidade e região. A imponência do imóvel, conhecido por ter abrigado o antigo Colégio Ateneu, com espaços amplos e pé direito alto, estimulou a criatividade dos expositores. São salas diversas, lofts, suítes, banheiros e terraços, além de jardins e espaços comerciais e de uso dos visitantes, como restaurante, bar, café e loja, que somam 3.600 metros quadrados de passeio.

Entre as diversas tendências apresentadas, além de muita tecnologia e da crescente preocupação com a sustentabilidade, nota-se o uso de mobiliário e peças de decoração assinados especialmente por designers brasileiros, móveis para área externa produzidos com cordas náuticas e muitas soluções autorais dos expositores. As cores utilizadas são as mais variadas, com destaque para tons terrosos, beges e of-white e também muito preto, além de coral, tom Pantone 2019.

Durante as obras de recuperação do imóvel e de preparação da mostra – iniciadas em outubro do ano passado -, organização e expositores reconstruíram as redes hidráulica e elétrica, recuperaram telhado e paredes, refizeram e restauraram pisos e revestimentos.

Os trabalhos envolveram um verdadeiro exército de profissionais – arquitetos, paisagistas, engenheiros, artistas plásticos, pedreiros, pintores, jardineiros, carpinteiros e entregadores, entre outros. Nos horários de pico, o local chegou a reunir cerca de 500 pessoas ao mesmo tempo. Foram gerados cerca de 1.500 empregos diretos durantes as obras, além de outros 150 após a abertura da mostra para o público.

Após a realização da mostra, graças à doação das benfeitorias, o casarão pertencente à prefeitura e tombado pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas) será utilizado para abrigar a Secretaria de Educação do município. Serão instalados no imóvel o gabinete da secretária, assessoria jurídica, diretorias e coordenadorias.

“Estamos orgulhosos em poder beneficiar a população e o município com a recuperação de mais um prédio e confiantes de que esta edição da Campinas Decor será uma das mais importantes da história da mostra, tanto pela localização nobre e inédita, em pleno Cambuí, como pelas características do imóvel”, afirma a empresária Sueli Cardoso, organizadora do evento.

Ela acrescenta o ótimo resultado obtido. “As características do casarão, como o pé direito alto e a amplitude dos ambientes, deram ainda mais liberdade de criação para os expositores, resultando em ambientes muito diferenciados, que prometem agradar os visitantes”, conta Sueli.

A instalação da exposição no local reforça a política da Campinas Decor de recuperação de bens do patrimônio público iniciada em 2003, quando o evento promoveu a reforma no Casarão do Lago do Café. De lá para cá, foram recuperados: Estação Guanabara, em 2008; prédios do Instituto Agronômico de Campinas, nas edições de 2009 e 2010; Estação Cultura, em 2011; Casa de Vidro, em 2016, e Fazenda Argentina (2018).

No total, foram investidos cerca de R$ 18,5 milhões em benfeitorias nesses prédios, cotizados entre a organização, expositores, patrocinadores e fornecedores. As obras realizadas propiciaram a realização de inúmeras atividades nesses locais, sempre em benefício da população.

A realização da Campinas Decor no imóvel está sendo possível graças a um convênio de permissão de uso firmado entre a organização do evento e a administração municipal. O termo tem como objetivo a cooperação entre o poder público e a iniciativa privada para a conservação do imóvel.  Esta é a quarta parceria entre a empresa e a prefeitura, uma vez que Lago do Café (duas ocasiões) e a Estação Cultura também pertencem ao Poder Municipal.

História da Família

Assim como nas edições anteriores, a organização traçou uma “história da família” para nortear o trabalho dos expositores. Neste ano, os visitantes poderão conhecer os espaços preparados para um casal na faixa dos 40/45 anos, com uma filha de 6 anos e um bebê (menino).

Ricardo, 42 anos, é pesquisador e seu hobby é estudar sobre vinhos. Adora saborear os rótulos de Bordeaux e entender a origem das uvas com seus variados métodos franceses, nos arredores de Paris. Além de ser um legítimo paizão que cuida dos filhos com muito amor, nos momentos de lazer e descanso, gosta de cozinhar para a família e amigos, sempre ao som de Édith Piaf.

Gabriela é jornalista e editora chefe de um famoso portal de moda internacional. Bem sucedida e com agenda sempre preenchida de compromissos entre a ponte aérea do Brasil e Miami, ainda realiza trabalhos voluntários e apoia diversos grupos de mulheres empreendedoras do segmento de educação. Gosta de viajar para Ilhabela e passar agradáveis finais de semana na casa de praia da família, junto com amigos e filhos. Ao final do dia, se divertem jogando beach tênis nas areias.

Maynah é a filha mais velha do casal. Com apenas 6 anos, seus olhinhos brilham ao assistir filmes da Disney no Youtube. Além de super curiosa e criativa, também adora desenhar e é mega fã de parques de diversão. Seu sonho é ser uma desenhista famosa de personagens infantis.

O pequeno Henrique é o filho caçula e apesar de ter só 1 aninho, já esboça sorrisos de amor e fica super atento quando vê o pai tocando violão nos almoços de domingo em família. Gabriela acha que ele será músico, já Ricardo torce para o filho ser cientista.

Novos talentos

Mantendo a tradição de valorizar profissionais que estão há pouco tempo no mercado, mas têm grande potencial criador, a organização da Campinas Decor reservou três espaços da mostra para o projeto Novos Talentos, que contempla expositores com até três anos de formados.

Neste ano, os profissionais escolhidos foram os designers de interiores Thaisa Frank, Helena Bortolini e Lucas Vilar e a designer de interiores e engenheira civil Renata Cirigliano, que assinam o ambiente Loja do Bem, os arquitetos e urbanistas Eduardo Simionatto e Felipe Higino, autores do projeto Varanda da Contemplação, e a designer de interiores Dani D´Ambrosio, que projetou o Hall dos Banheiros.

Parceria com o Grupo Primavera

O cunho beneficente da 24ª edição da Campinas Decor vai além da doação das benfeitorias realizadas no prédio pertencente à prefeitura. A mostra reservou o espaço “Loja do Bem” para a comercialização de produtos confeccionados na Oficina do Grupo Primavera. Fora isso, a organização ainda irá destinar 3% da arrecadação da bilheteria do evento para a entidade.

Na Loja do Bem, ambiente assinado pelos designers de interiores Thaisa Frank,  Helena Bortolini e Lucas Vilar e pela designer de interiores e engenheira civil Renata Cirigliano, os visitantes irão encontrar bonecas de diferentes tamanhos, marcadores de livro, chaveiros e pequenos objetos de decoração, que estarão à venda para auxiliar na manutenção das atividades da organização social.

O Grupo Primavera atende hoje cerca de 500 crianças, adolescentes e jovens de 6 a 18 anos do entorno do Jardim São Marcos, Campinas, por meio de programas de educação complementar, cultural e profissional oferecidos no contraturno escolar.

Todos os produtos a serem comercializados são feitos à mão na sede da entidade ou fora dela, com mão de obra feminina capacitada pelo Primavera em seu programa de atendimento a mulheres de baixa renda. As mulheres capacitadas no programa fornecem serviços de costura e bordado ao Grupo Primavera, que as remunera pela quantidade produzida.

Homenagem a Stella Pastana Tozo

Além dos 43 ambientes, a Campinas Decor 2019 traz um espaço especialmente criado para homenagear Stella Maria Leite Pastana Tozo, empresária que esteve à frente da mostra nos últimos 17 anos, ao lado de Sueli Cardoso. Ela faleceu em novembro de 2018, mas deixou sua marca, força e carisma para toda a equipe envolvida no projeto.

Trabalhando na Campinas Decor desde sua primeira edição, em 1996, e como organizadora do evento junto com Sueli de 2001 a 2018, ela deixou um importante legado para o mercado de arquitetura e decoração regional e trabalhou ativamente para que a mostra promovesse a recuperação e doação de benfeitorias em patrimônios públicos – característica que ganha cada vez mais força na trajetória da Campinas Decor. Juntas, Stella e Sueli também transformaram a Campinas Decor na principal mostra do interior paulista, com visibilidade nacional.

Batizado de “Espaço Lembrança”, o ambiente de 48 m2 foi assinado pela arquiteta Letícia Ribeiro, em sua nona participação no evento. Letícia foi convidada pela organização para o desafio de projetar um espaço no qual fossem resgatados momentos históricos das mostras anteriores, nas quais a atuação de Stella foi decisiva, e também a vida pessoal e familiar da empresária.

“Será nossa primeira edição sem a Stella, embora ela tenha participado ativamente já desse projeto e de seu lançamento, e acreditamos que um ambiente que relembre sua história e a trajetória da mostra em si, que se misturam, é uma boa forma de homenageá-la e de resgatar todos os momentos bons que vivemos”, afirma Sueli Cardoso.

“Temos uma galeria com imagens e informações para que todos possam relembrar toda a dedicação da Stella em relação ao evento, que era sua paixão. Como plano de fundo dessa vida profissional, também teremos a área da família e outros interesses que despertavam nela a mesma dedicação que ela nutria pela Campinas Decor. A intenção é poder passar para o visitante e também para as pessoas do convívio da Campinas Decor a grande mulher que era a Stella, empreendedora, sonhadora”, conta Letícia.

Casarão histórico

O casarão que abriga a Campinas Decor 2019, em pleno coração da cidade, fazia parte de uma chácara, na área rural da cidade lá pelos idos de 1800. A rua Barreto Leme teve moradores membros de uma família que iniciou uma nova geração de beneméritos. E tudo começou com o casal formado pelo Comendador Capitão Joaquim Soares de Carvalho e Dona Maria Felicíssima de Abreu Soares, que exercia grande influência na sociedade. Viúva desde 1860 e proprietária das terras na região, Maria Felicíssima doou, em 1869, um terreno para a construção da Santa Casa de Misericórdia, em atividade até os dias atuais e localizada bem próxima da Campinas Decor® 2019.

Um de seus filhos, Joaquim Cellestino de Abreu Soares, herdou as terras da chácara da Barreto Leme. Primeiro comerciante e depois um fazendeiro importante, Joaquim Cellestino recebeu o título de Barão de Paranapanema. Ele teve três casamentos. Sua sexta filha do primeiro casamento, Presciliana de Oliveira Soares recebeu a chácara como herança de seu pai. E, como era costume na época – para que os bens permanecessem em família –, Presciliana casou-se com o tio, Antonio Galdino de Abreu Soares, irmão de seu pai. Assim, passou a assinar Presciliana de Abreu Soares. Seu nome batiza uma rua em Campinas, no bairro Cambuí.

Desde os tempos do Comendador, a chácara, era chamada de “bela” e isso era mencionado nos documentos da partilha, após sua morte.

A casa – descrita nas plantas como “casa de residência” – foi construída no fim do século 19 em alvenaria de tijolos, acompanhando as técnicas construtivas da época. O pavimento elevado era embasado por um porão, que prevenia infiltrações nos cômodos. A arquitetura do imóvel refletiu a transição entre o ambiente rural para o urbano: sem a ostentação dos espaços grandiosos das casas de fazenda ou a ornamentação luxuosa dos palacetes e solares dessa mesma época. Provavelmente ao mesmo tempo, a chamada “casa antiga”, que ficava ao lado (e depois foi demolida) foi ampliada com uma ala em tijolos.

Dona Presciliana promoveu várias reformas e modificações na propriedade. A casa era ladeada por canteiros e jardins e tinha acesso por meio de três escadas, duas das quais existem até hoje. O restante da propriedade era totalmente ocupado por plantações e havia um moinho de vento em aço, utilizado nas irrigações.

Nos bens de testamento de Dona Presciliana, constava que a chácara tinha 24 mil metros quadrados. Um de seus filhos, Servílio de Abreu Soares (ela teve nove filhos) herdou a chácara após sua morte, em 1929, em promoveu o loteamento ao longo do tempo. O terreno da “casa de residência” e o entorno foram preservados com a configuração atual.

Após a morte de Servílio, em 1955, seus herdeiros venderam o casarão e o terreno do entrono para o Professor Carlos Lencastre, que deu novo destino ao local: a educação. Ali, a partir de 1958, o professor instalou as instituições Ginásio Lencastre, Escola Técnica Pedro II e a Escola Normal Livre Lencastre, que permaneceram por dez anos. A casa foi sendo adaptada para o novo uso. Depois, em 1977, a casa foi alugada para outro professor, Paulino da Costa Eduardo, que manteve o uso educacional no local. O pedagogo, acadêmico da Academia Campinense de Letras e Artes iniciou as atividades do Colégio Ateneu Campinense, com escola particular de 1º e 2º graus.

Várias melhorias no imóvel foram promovidas na época e a direção do Ateneu alocava as salas de aula, os laboratórios e os espaços estudantis nas construções anexas, deixando o casarão para uso administrativo, mantendo seu bom estado de conservação. O Colégio Ateneu permaneceu no local até o fim da década de 1990.

Em 2009, a família de Lencastre vendeu o imóvel para o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo (CREA-SP), que pretendia instalar ali sua sede. Um ano antes, o imóvel foi tombado pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas), após um estudo iniciado em 1997, cujos argumentos apontavam para o vínculo do local com a história de Campinas e com o desenvolvimento cultural e educacional da sociedade. E, também, a constatação de que o casarão se apresentava íntegro na sua estrutura e conservava quase todos os elementos arquitetônicos originais. Em 2013, a Prefeitura de Campinas adquiriu o patrimônio cultural da cidade, que agora abre suas portas para receber a principal mostra de arquitetura, decoração e paisagismo do interior do Estado.

Sobre a Campinas Decor

Criada em 1996, a Campinas Decor consolidou-se como a principal mostra de arquitetura, decoração e paisagismo do interior de São Paulo. Ao longo dos anos, tornou-se uma grande vitrine do trabalho realizado pelos expositores, além de uma oportunidade única para fornecedores e patrocinadores divulgarem sua marca e seus últimos lançamentos.

Os excelentes resultados obtidos ao longo dos anos trouxeram a parceria e a obtenção de patrocínio e apoio junto a grandes empresas. Em 2019, o evento obteve excelente receptividade junto às marcas, ampliando consideravelmente o número de patrocinadores e apoiadores, além de contar também com o apoio da Prefeitura Municipal de Campinas e da Secretaria de Educação do município.

A Campinas Decor 2019 tem patrocínio máster da Deca e Leo Sob Medida, patrocínio Hunter Douglas, Weiku, Engetax, Guardian Glass e Cyberglass, Saci Tintas e Tintas Coral e apoio C&C, TECPRAG e Projetetto. São fornecedores oficiais, Kosten-Haus, Ateliê Revestimento, Portobello e Breton. Assinam como patrocinadores de mídia a Revista Metrópole, a Band e a GM7.

 

 

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