BEBÊ PREMATURO: Avaliação precoce e acompanhamento especializado podem evitar a Deficiência Intelectual

Daniele_mãe de ArielUma em cada dez crianças nasce antes das 37 semanas de gestação. São 15 milhões de nascimentos prematuros todos os anos no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. As estatísticas também demonstram que, anualmente, pelo menos um milhão de bebês prematuros morrem. Os que sobrevivem são considerados guerreiros por natureza, mas necessitam de cuidados especiais porque são considerados de risco para apresentarem futuramente possíveis problemas no desenvolvimento e dentre estes problemas, pode-se destacar a Deficiência Intelectual.

A APAE de Limeira possui dois Programas direcionados aos bebês prematuros, um é o Programa de Acompanhamento do Desenvolvimento Infantil, cujo objetivo é acompanhar, por meio de reavaliações periódicas, se o bebê está se desenvolvendo normalmente. Periodicamente, uma equipe interdisciplinar composta por assistente social, fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga, avalia todas as áreas do desenvolvimento do bebê para checar se está tudo bem. Nestas reavaliações, os pais também recebem orientações de como estimular o bebê em casa. Se a equipe constatar alguma alteração ou atraso, este bebê passa a receber atendimento terapêutico semanal para estimular a área que está em defasagem.

O outro Programa é o Centro de Atenção Terapêutica, que conta também com uma equipe interdisciplinar, com assistente social, fisioterapeuta, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga, cujo objetivo é realizar a intervenção precoce, ou seja, assistir terapeuticamente os bebês que apresentam atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Quando um bebê prematuro chega à entidade, ele é avaliado pela equipe e constatado um atraso, esse bebê já passa a receber atendimento e uma ou quantas áreas for necessário.

Quem coordena este trabalho é Elisabete Giusti. Ela explica que o atendimento com prematuros na entidade teve inicio em 1997, com a implantação de projetos visando a estimulação precoce. “Na época, foi realizada uma parceria com a UTI Neonatal da Santa Casa e todos os bebês egressos da UTI, já eram encaminhados para a entidade. Este trabalho é fundamental, pois sabemos que, o quanto antes intervimos, mais resultados teremos. Hoje em dia, fala-se muito em neuroplasticidade, ou plasticidade cerebral, que é a capacidade de remapeamento ou reorganização das conexões das nossas células nervosas, processo que nos ajuda a continuamente aprender. É a maneira do nosso cérebro agir e reagir à medida que experimentamos estímulos no ambiente onde vivemos”, diz a coordenadora.

A APAE de Limeira tem um número significativo de crianças com Deficiência Intelectual e que nasceram prematuramente e, consequentemente, tiveram complicações no momento do parto, como por exemplo: nasceram com baixo peso, tiveram que permanecer em UTI Neonatal, faltou oxigênio no nascimento, etc. Todas essas intercorrências podem afetar o desenvolvimento do cérebro e de suas funções alerta Elisabete.

“Por isso, esse trabalho de acompanhar e de assistir terapeuticamente os bebês prematuros é essencial. Já vi e posso dizer, que com certa frequência, muitos bebês que tinham tudo para ter uma Deficiência Intelectual e que com o trabalho da equipe, das terapeutas, isso foi revertido. Poder promover o desenvolvimento intelectual de uma criança, evitar uma Deficiência Intelectual é algo tão nobre, que nem tenho palavras para expressar tamanha satisfação e realização profissional”.

Atualmente, 70 bebês estão sendo acompanhados longitudinalmente (avaliados periodicamente) e aproximadamente 35 bebês estão em atendimento terapêutico semanal na Entidade.

São crianças encaminhadas pelos médicos da cidade e também por hospitais. Mas é importante esclarecer, que para solicitar uma avaliação, não é necessário o encaminhamento. Uma mãe que teve um bebê prematuro e que tem dúvidas se o seu desenvolvimento está adequado ou não, também poderá nos procurar.

” Uma realidade ainda triste é que muitas vezes, recebemos crianças mais velhas, já com alteração no desenvolvimento e que foram prematuras, mas que não foram encaminhadas para este acompanhamento/intervenção precoce. Talvez, ainda por falta de informação, muitas mães de bebês prematuros, não conhecem este trabalho. E ainda, existe por parte, dos pais e até mesmo de alguns profissionais, um receio e um equívoco sobre o trabalho desenvolvido na entidade. Muitos pais relatam que não procuraram a entidade porque a APAE é apenas para crianças com atraso mental. A falta de informação ainda assusta os pais. O fato de um bebê ser acompanhado pela equipe da entidade, não significa que ele é ou será deficiente, muito pelo contrário, nosso objetivo é justamente, evitar que no futuro ele apresente uma deficiência. Isso é possível!”, observa Elisabete.

Alerta em números:

O Professor Dr. João Monteiro de Pina-Neto, médico geneticista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e que também desenvolve projetos de investigação de causas das deficiências, junto à equipe de Prevenção da APAE de Limeira, alerta: “E importante saber que quanto menor for o recém-nascido, por exemplo, menos de 1000 gramas, a chance desse bebê ter uma deficiência intelectual é de 80%, pois maiores são as chances de desenvolver quadros hemorrágicos e falta de oxigenação cerebral adequada  no período perinatal, mesmo que estejam em uma boa UTI Infantil”.

Como fazer uma avaliação:

Temos uma equipe especializada e que oferece um atendimento gratuito e de alta qualidade. Os pais serão recebidos, acolhidos e o mais importante, o bebê poderá ter o desenvolvimento acompanhado. Muitos pais não sabem, que sem este atendimento, muitas crianças poderão ter atraso para andar, poderão ter dificuldades no desenvolvimento da fala, dificuldades cognitivas, dificuldades para se alfabetizar, dificuldades de aprendizagem, entre outras consequências. Os estímulos que um bebê recebe poderão nortear todo o seu desenvolvimento futuro.  Ligue para 3404 1569 ou mande um email para cad@apaelimeira.org.br. Você pode procurar também pela Assistente Social Vagna na própria Entidade.

 Missão cumprida:

Daniele Feitosa Barbosa é mão de Ariel, de dois anos e meio. Ele nasceu prematuro com 31 semanas. Este ano, receberá alta do acompanhamento que começou quando ele tinha um mês. ” Aqui eu aprendi muita coisa”, comemora a mãe. ” Aprendi que ele precisava de muita atenção em tudo e segui todas as orientações da equipe da APAE de Limeira. Elas foram supercarinhosas e competentes e ele está esperto e evoluindo muito. Acho que todas as mães que passam pela mesma situação deveriam buscar o caminho que eu busquei aqui”, disse Daniele.

JC Limeira - Todos os direitos reservados 2016 | Desenvolvido por FMTurati WebDesign